Como tornar-se Médium Henri Regnault Em "No Invisível", Léon Denis indica as condições necessárias para se tornar um bom médium. Todos os seres humanos têm, em estado latente, a mediunidade. "Há em cada um de nós rudimentos de mediunidade, faculdades em gérmen, que podem desenvolver-se pelo exercício. Para a maior parte, um longo e perseverante trabalho é necessário. Entre certas pessoas, essas faculdades aparecem desde a infância e conseguem, sem esforços, com o tempo, um alto grau de perfeição. Nesse caso, elas são o resultado de aquisições anteriores, o fruto dos trabalhos conseguidos na Terra ou no espaço, fruto que trazemos ao renascer." É um erro acreditar que sõ as mulheres podem ser médiuns. Homens e mulheres tem, em potencial, a mediunidade, como já havia falado Allan Kardec. Antes de procurar desenvolver a mediunidade, é preciso tomar os conselhos de um espírita sério; convém fazer, previamente, os necessãrios estudos. Nunca se deve considerar a imposição das mãos sobre um "guéridon" (1) como um divertimento, uma distração. Muitas vezes me acontece, num meio em que não se está preparado para ocupar-se com psiquismo nem Espiritismo, me falarem: - "Ah! Você é espírita. Eu também; tenho realizado um pouco dessas coisas; diverti-me com amigos, fazendo girar as mesas." Cada vez que ouvi tais declarações, tremi, em pensar nos perigos corridos por meu interlocutor. Se o Espiritismo encerra nele maravilhosos meios de felicidade, encerra, igualmente, graves perigos; é uma arma de dois gumes que convém saber manejar, quando se quer tratar com pesquisas experimentais e quando se deseja desenvolver a mediunidade. Antes de tudo, é preciso estudar as obras espíritas. Os médiuns podem escapar dos graves perigos que os ameaçam? Léon Denis lhes traça o meio. (2) "A mediunidade é uma flor delicada que tem necessidade, para se expandir, de precauções atentas e de cuidados permanentes. É preciso método, paciência, altas aspirações e nobres sentimentos. Necessário, sobretudo, terna solicitude do espírito bom que o envolve com seu amor, com seus fluidos vivificantes. Quase sempre, porém, se quer produzir frutos prematuros e, desde então, ela se estiola, fenece ao sopro dos espíritos atrasados. Na antiguidade, os jovens médiuns que revelassem aptidões especiais, eram retirados do mundo, colocados fora de qualquer influência degradande, em lugares consagrados ao culto, cercados de tudo o que pudesse elevar seus pensamentos e seus corações, desenvolver neles o sentimento do Belo. Assim eram as virgens vestais, as druidesas, as sibilas, etc. Eram, da mesma forma, as escolas de profetas e videntes da Judéia, colocados longe do barulho das cidades. No silêncio do deserto, na paz dos píncaros, os iniciados sabiam atrair para eles as influências superiores e interrogar o Invisível. Graças a essa educação, chegavam a resultados que nos surpreendem. Atualmente tais procedimentos são inaplicáveis. As exigências sociais não permitem sempre ao médium se consagrar, como conviria, ao cultivo de suas faculdades. Sua atenção é desviada pelas mil necessidades da vida familiar, suas aspirações entravadas pelo contato de uma sociedade mais ou menos frívola ou corrompida. Às vezes, ele é chamado a exercer suas aptidões em meios impregnados de fluidos impuros, de vibrações desarmônicas, que reagem sobre seu organismo tão impressionãvel e que causam perturbação e desordem. É preciso que, pelo menos, o médium, compenetrado da utilidade e da grandeza de seu papel, se aplique a aumentar seus conhecimentos e busque espiritualizar-se ao máximo; que aproveite as horas de recolhimento e que tente, então, pela visão interior, chegar até às coisas divinas, à beleza eterna e perfeita. Quanto mais inteligência, saber e moralidade sejam desenvolvidos nele, mais apto se tornará para servir de intermediário às grandes almas do espaço." Léon Denis trata, igualmente, essa questão em suas outras obras; citarei, por exemplo, o que ele escreveu em "O Grande Enigma": (3) "Os médiuns podem prevenir os perigos da mediunidade preparando-se para suas funções como para um ministério sagrado, pela invocação, pelo recolhimento e pela oração. O iniciado nos ministérios antigos tinha um ritual; só se entregava à evocação depois de estar preparado pela abstinência, pela meditação e no recolhimento. A lei não pode mudar; quem quiser passar além, se expõe e reais inconvenientes." Henri Regnault (1) Nota da Editora:
Mesa redonda de apenas um pé, muito usada para as manifestações das
mesas girantes. (Voltar) |
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